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100 anos de república em Portugal

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bem, apesar deste blog estar num estado vegetativo mesmo apesar de tentativas de recuperação, acho que este post é mais adequado para ser registado aqui do que no meu blog.

Burqa ban is a revival of an older European battle against religion in the Times


"The Belgian burqa ban, which comes with France preparing a similar move and after the outlawing of minarets in Switzerland, will be seen by the Arab world as a further sign of Islamophobia sweeping Europe.
(...)
In France, President Sarkozy has been wavering over the proposed burqa ban for months but appears to have come down in favour of it in an attempt to win back voters from the ultra-right National Front. Details of the proposed law revealed today in Le Figaro, suggest that the authorities are considering a fine of up to €150 (£130) for anyone concealing their face behind a burqa or other Muslim veil. It would also impose a maximum fine of €15,000 on anyone forcing a third party to wear a burqa.
(...)

But it would be an error to stigmatise all supporters of the burqa ban as racist, for the issue strikes at the heart of national identity in France, Belgium and elsewhere in Europe.The French Republic, for instance, was built in opposition to the Catholic Church as much as in rebellion against the monarchy. It turned France into a country where religion was accepted, but distrusted by the republican institutions. (...) Politicians, commentators, but also swaths of French public opinion, see radical Islam as a challenge to the secular state and to the values that it is supposed to promulgate — liberty, equality, fraternity.

(...)

Supporters of the ban say the burqa is an affront to the freedom of women, an insult to the notion of sexual equality and an obstruction to fraternal communication. It also presents immense practical difficulties in a country where you have to prove your identity to withdraw money in a bank, to pick your child up from school or to show your monthly buss pass."


Italian police fine woman for wearing burqa in public in the Times

"Amel Marmouri, 26, was stopped by carabinieri officers in a spot check outside a post office in Novara in northern Italy and given a 500 euro (£431) fine, payable within 90 days. She at first declined to lift her veil to be identified because the officers were male, but agreed when a municipal police patrol which included a woman officer was summoned. The fine was imposed under a city ordinance introduced in January in Novara banning any clothing which “prevents the immediate identification of the wearer inside public buildings, schools and hospitals”. It marked the first time the regulation had been enforced.

(...)

Ben Salah Braim, 36, the woman's husband and a building worker, said he would respect the regulation, but would have to confine his wife at home since the Koran forbade other men to see her face. “Amel may not be looked at by other men,” he told Corriere della Sera. “Our religion is explicit on this,” he said. “If this is the law in Italy, what can I do? I don't know how I am going to find the money to pay the 500 Euro fine.”

(...)

However, Izzedin Elzir, an imam in Florence and head of the Islamic Community and Organisations Union in Italy, said it was a “matter of interpretation” whether the Koran forbade women to show their faces in public. 'We are for the freedom of women and against veils of any kind,” he said, adding “Italian laws must be respected.”

(...)

Last Friday Belgium's lower house voted unanimously to prohibit women from wearing full face veils in public. If the bill is passed by the Belgian Senate it will become Europe's first national 'burqa ban'.The French Government of President Nicolas Sarkozy is also drafting a bill that would make it illegal to wear the burqa."

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De certa forma fiquei impressionada, primeiro pelo facto de na Itália já se ter atingido este ponto e eu nem ter dado conta e segundo porque pela primeira vez oiço argumentos diferentes à suposta liberdade das mulheres. Para ser sincera a minha opinião não tem nenhuma decisão definitiva, mas para quem me conhece provavelmente poderia adivinhar que iria apoiar o lado mais conservador neste caso, o que não acontece principalmente por não concordar com hipocrisias nem com provavelmente razões dadas pelos políticos Berlusconi e Sarkozy.

Quando se começou a falar sobre o ban à burqa em França, a minha opinião era contra. Apesar de tanto protestarem pela liberdade das mulheres e pela igualdade dos direitos, acho que é uma perfeita hipocrisia e como se pode ver Sarkozy utilizou apenas como uma estratégia política, mas também os simpatizantes não vêem o lado oposto. Se querem a liberdade de uma mulher poder andar sem a burqa o mesmo tipo de liberdade teria de ser dado a quem quiser usá-la; acho que mais uma vez, parte daqui o choque entre o lado ocidental e oriental. De certa forma, apesar de achar que os nossos valores são os melhores para uma mulher poder viver numa sociedade, os ocidentais caem sempre na tentação de achar que têm de salvar as mulheres daquela religião, mas a verdade é que durante muito tempo como ocidentais as mulheres também tinham um valor diminuto de ficar em casa, sem direito a estudar ou a votar. A resposta a isto poderia ser que nós evoluímos e a mulher hoje em dia tem um papel igual ao do homem (quando não se tenta aproveitar do facto de ter sido o chamado sexo fraco...) na parte ocidental, mas a verdade é que também houve uma certa evolução no mundo muçulmano, em países como a Turquia nas grandes cidades grande parte das mulheres não usa, apesar de existirem algumas que ainda utilizem e, muitas das quais porque querem proteger os valores da sua religião.

Acho que o facto de ter entrado em contacto com a religião muçulmana me ajudou a perceber muita coisa, apesar de manter certas opiniões. Não entendo porque é que no nosso caso podemos fazer um cartaz do Papa e de Jesus Cristo e, no máximo católicos olham de lado e criticam e, no caso de Maomé houveram feridos e mortos. Dizem-me que são extremistas e que não representam os valores de todos os muçulmanos. Apesar de nem todos serem extremistas eles exigem um certo respeito que corta a nossa liberdade de expressão, ainda hoje a religião é um tabu nos países ocidentais, mas em comunidades muçulmanas o nível de tabu é superior e com consequências mais graves.

Mas, a verdade é que no caso de se querer igualdade o facto de ser necessária a identificação das mulheres e elas não poderem ser identificadas por agentes masculinos causa demasiados problemas relacionados com a religião e, tal como foi dito no artigo, se fosse uma pessoa entrar numa estação da polícia com um capacete o mais provável era que também levasse uma multa. E, o que ainda mais reforça este lado do debate, é o facto de em comunidade muçulmanas existirem muitas mulheres que não utilizam a burqa mas, depois é argumentado que é essencial ter a burqa e que não há outra opção. A opinião de Izzedin Elzir ainda reflecte mais a flexibilidade na utilização do véu. Neste caso é também existente a pressão que a religião ainda tem sobre a lei e os conflitos que podem ocorrer deste choque, é exigido o respeito da religião mas não da lei?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A pedido de muitas famílias, a do Carlos principalmente, agradeço imenso o apoio da tua tia, e tenho que lhe agradecer, aspecto a acrescentar na minha agenda, venho declarar, ainda que a meio gás, ou melhor, visto que somos cinco, a 40% do gás, o recomeço deste fantástico inerte por meses, blogue sobre coisas da vida quotidiana que os "jóves" portugueses normalmente não pensam nem falam, nem que seja sobre uma profunda incompreensão sobre o tema, assim sendo, espero que isto siga o seu caminho daqui para frente como algo que sirva para desabafar sobre coisas que na nossa sociedade foram absolvidas por um estranho fenómeno semelhante à PIDE que se entranhou na nossa sociedade juvenil e pré-adulta.
Segunda será então a altura do Carlos publicar qualquer coisa referente ao assunto, mas se quiserem poderá ser mudada a calendarização.
Com isto me despeço, cordiais cumprimentos.

sábado, 5 de dezembro de 2009

In Público

São falsos os três extractos de conversas telefónicas alegadamente interceptadas pelos investigadores do processo Face Oculta, tendo como interlocutores o primeiro-ministro José Sócrates e o banqueiro Armando Vara, que foram postos a circular na Internet, através de emails, alguns dos quais remetidos para as redacções de órgãos de comunicação social, apurou o PÚBLICO.O documento tem duas páginas digitalizadas em formato de fotografia, que nada têm a ver com as folhas usadas para transcrições de escutas dos processos onde aquele meio de recolha de prova é utilizado. O documento apresenta várias falhas que levam a considerá-lo como falso, a começar pelo próprio timbre, que é uma reprodução das folhas usadas pelos serviços do Ministério Público da Comarca do Baixo Vouga, quando as escutas são transcritas em papel oficial da Polícia Judiciária.

Uma análise mais detalhada do documento mostra ainda que, ao contrário das peças processuais, a imagem digital difundida anonimamente na blogosfera não está numerada, como sucede com todas as folhas de um inquérito judicial. Outra lacuna a adensar a suspeita de falsificação reside na não identificação do alvo da escuta, número do respectivo telefone e da sessão a que se refere, como também é obrigatório nas transcrições oficiais.

Além disso, os diálogos alegadamente atribuídos a Vara e a Sócrates são demasiado coloquiais, quase como se fossem uma peça de teatro em que cada um dos intérpretes aguarda disciplinadamente o fim da fala do seu interlocutor, quando na realidade, numa conversa telefónica, é difícil que não ocorram atropelos nos diálogos.

O documento foi posto a circular numa altura em que se torna impossível a confirmação da veracidade do seu conteúdo em relação aos originais que contêm as transcrições dos 11 telefonemas que os investigadores da Face Oculta interceptaram, envolvendo o banqueiro e o primeiro-ministro, dado que as escutas e respectivas transcrições foram consideradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, conselheiro Noronha Nascimento. É a este que está atribuída a função de juiz de instrução quando há escutas telefónicas em que intervenham o presidente da República, o Primeiro-Ministro e o presidente da Assembleia da República. O despacho do presidente do Supremo determinou a destruição dos suportes digitais em que estavam guardadas. - In Público

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Eleições

Boas, a todos, a quem se encontra pelo Prior Velho, a quem está em Roma ou em Azeitão, à groninguesa e ao mariborense, umas boas noites, gostava de vos perguntar, em jeito de comentadores imparciais talvez, mas não necessariamente, a vossa opinião, sobre a campanha eleitoral passada, os resultados, e as perspectivas futuras, em jeito sucinto ou mais alongado, gostava que aceitassem o desafio.

Abraços sinceros.
Resultados Eleitorais

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Recomeço

Querem recomeçar a actividade regular do blog? Se sim dêem ideias para o tema e para quando começar, talvez esta segunda não era mau pensado.
Beijinhos.
Sem mais nem menos.

domingo, 21 de junho de 2009

mutilação genital feminina

' “Sofri mutilação genital feminina aos dez anos. A minha defunta avó disse-me então que me iam levar perto do rio para executar uma espécie de cerimónia, e que depois me dariam muita comida. Como criança inocente que era, lá fui como uma ovelha para a matança.

Mal entrei no arbusto secreto, levaram-me para um quarto muito escuro e tiraram-me as roupas. Vendaram-me os olhos e despiram-me completamente. Depois, duas mulheres fortes levaram-me para o local onde seria a operação. Quatro mulheres com força obrigaram-me a deitar-me de costas, duas apertando-me uma perna cada uma. Outra mulher sentou-se sobre o meu peito para eu não mexer a parte de cima do meu corpo. Um bocado de tecido foi-me posto dentro da boca para eu não gritar. Depois raparam-me os pelos.

Quando começou a operação debati-me imenso. A dor era terrível e insuportável. Enquanto me debatia cortaram-me e perdi sangue. Todos os que fizeram parte da operação estavam meios bêbados. Outros estavam a dançar e a cantar, e ainda pior, estavam nus.

Fui mutilada com um canivete rombo.

Depois da operação, ninguém me podia ajudar a andar. O que me puseram na ferida cheirava mal e doía. Estes foram momentos terríveis para mim. Cada vez que queria urinar, era forçada a estar em pé. A urina espalhava-se pela ferida e causava de novo a dor inicial. Às vezes tinha de me forçar a não urinar, com medo da dor terrível. Não me anestesiaram durante a operação, nem me deram antibióticos contra infecções. Depois, tive uma hemorragia e fiquei anémica. A culpa foi atribuída à feitiçaria. Sofri durante muito tempo de infecções vaginais agudas.”

Hannah Koroma, Serra Leoa'

In Amnistia Internacional

O tema de hoje é a Mutilação Genital Feminina. Depois de um testemunho, acho importante descobrir tudo o que está por detrás, razões, porquê's, efeitos.

Como já puderam perceber pelo testemunho de Hannah Koroma, este é um processo doloroso que tem consequências importantes, não só a nível psicológico como físico para a mulher.

Mas no que consiste este processo?
- Remoção inteira ou parcial dos órgãos sexuais da mulher;
- O mais frequente é a infibulação (costura do clitóris ou dos lábios vaginais, deixando uma pequena abertura para a urina e menstruação;
- Este processo é aplicado na sua maioria em raparigas entre os 4 e os 8 anos.

Como é feito ?
- Na maioria dos casos é feita por mulheres da comunidade em que a 'vítima' está inserida;
- Esta é realizada com instrumentos impróprios como facas;
- As mulheres ou crianças não são anestesiadas;
- Na infibulação, poderão ser utilizados espinhos para manter os lábios vaginais juntos (as raparigas necessitam de ficar 40 dias com as pernas atadas).

Efeitos provocados:
- Poderá levar à morte;
- HIV;
- As relações sexuais poderão ser dolorosas (possivelmente, para sempre);
- A nível psicológico, humilhação (visto que, se correr mal a culpa é das 'vítimas' porque é considerado que elas é que já eram promíscuas), entre outros.

Porque é que é realizado ?
- Para as mulheres não se tornarem 'impuras';
- Permitir que só os homens sintam prazer sexual;
- Pela tradição da cultura em que estão inseridas.

No entanto, as mulheres não se podem opôr, pois poderão ser julgadas por recusa e oposição aos valores familiares e identidade cultural.

A mutilação genital feminina ocorre principalmente em África, sebem que entre as comunidades emigrantes também ocorre (incluíndo Portugal).

Esta prática é também fundamentada com a história de nos tempos de guerra, os homens terem de manter as mulheres 'frias' para 'não procurarem o sexo o tempo todo'.

Pretendo que este post seja mais de ordem informativa do que de opinião. Tendo em conta a sociedade em que estamos inseridos, estes actos para mim são reprováveis e, é incrível que existam mulheres neste mundo que ainda tenham de ser submetidas a tratamentos deste tipo e a muitos outros.
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