100 anos de república em Portugal
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
blood, sweat and luxuries
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Burqa ban is a revival of an older European battle against religion in the Times
But it would be an error to stigmatise all supporters of the burqa ban as racist, for the issue strikes at the heart of national identity in France, Belgium and elsewhere in Europe.The French Republic, for instance, was built in opposition to the Catholic Church as much as in rebellion against the monarchy. It turned France into a country where religion was accepted, but distrusted by the republican institutions. (...) Politicians, commentators, but also swaths of French public opinion, see radical Islam as a challenge to the secular state and to the values that it is supposed to promulgate — liberty, equality, fraternity.
(...)
Supporters of the ban say the burqa is an affront to the freedom of women, an insult to the notion of sexual equality and an obstruction to fraternal communication. It also presents immense practical difficulties in a country where you have to prove your identity to withdraw money in a bank, to pick your child up from school or to show your monthly buss pass."
Italian police fine woman for wearing burqa in public in the Times
"Amel Marmouri, 26, was stopped by carabinieri officers in a spot check outside a post office in Novara in northern Italy and given a 500 euro (£431) fine, payable within 90 days. She at first declined to lift her veil to be identified because the officers were male, but agreed when a municipal police patrol which included a woman officer was summoned. The fine was imposed under a city ordinance introduced in January in Novara banning any clothing which “prevents the immediate identification of the wearer inside public buildings, schools and hospitals”. It marked the first time the regulation had been enforced.
(...)
Ben Salah Braim, 36, the woman's husband and a building worker, said he would respect the regulation, but would have to confine his wife at home since the Koran forbade other men to see her face. “Amel may not be looked at by other men,” he told Corriere della Sera. “Our religion is explicit on this,” he said. “If this is the law in Italy, what can I do? I don't know how I am going to find the money to pay the 500 Euro fine.”
(...)
However, Izzedin Elzir, an imam in Florence and head of the Islamic Community and Organisations Union in Italy, said it was a “matter of interpretation” whether the Koran forbade women to show their faces in public. 'We are for the freedom of women and against veils of any kind,” he said, adding “Italian laws must be respected.”
(...)
Last Friday Belgium's lower house voted unanimously to prohibit women from wearing full face veils in public. If the bill is passed by the Belgian Senate it will become Europe's first national 'burqa ban'.The French Government of President Nicolas Sarkozy is also drafting a bill that would make it illegal to wear the burqa."
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De certa forma fiquei impressionada, primeiro pelo facto de na Itália já se ter atingido este ponto e eu nem ter dado conta e segundo porque pela primeira vez oiço argumentos diferentes à suposta liberdade das mulheres. Para ser sincera a minha opinião não tem nenhuma decisão definitiva, mas para quem me conhece provavelmente poderia adivinhar que iria apoiar o lado mais conservador neste caso, o que não acontece principalmente por não concordar com hipocrisias nem com provavelmente razões dadas pelos políticos Berlusconi e Sarkozy.
Quando se começou a falar sobre o ban à burqa em França, a minha opinião era contra. Apesar de tanto protestarem pela liberdade das mulheres e pela igualdade dos direitos, acho que é uma perfeita hipocrisia e como se pode ver Sarkozy utilizou apenas como uma estratégia política, mas também os simpatizantes não vêem o lado oposto. Se querem a liberdade de uma mulher poder andar sem a burqa o mesmo tipo de liberdade teria de ser dado a quem quiser usá-la; acho que mais uma vez, parte daqui o choque entre o lado ocidental e oriental. De certa forma, apesar de achar que os nossos valores são os melhores para uma mulher poder viver numa sociedade, os ocidentais caem sempre na tentação de achar que têm de salvar as mulheres daquela religião, mas a verdade é que durante muito tempo como ocidentais as mulheres também tinham um valor diminuto de ficar em casa, sem direito a estudar ou a votar. A resposta a isto poderia ser que nós evoluímos e a mulher hoje em dia tem um papel igual ao do homem (quando não se tenta aproveitar do facto de ter sido o chamado sexo fraco...) na parte ocidental, mas a verdade é que também houve uma certa evolução no mundo muçulmano, em países como a Turquia nas grandes cidades grande parte das mulheres não usa, apesar de existirem algumas que ainda utilizem e, muitas das quais porque querem proteger os valores da sua religião.
Acho que o facto de ter entrado em contacto com a religião muçulmana me ajudou a perceber muita coisa, apesar de manter certas opiniões. Não entendo porque é que no nosso caso podemos fazer um cartaz do Papa e de Jesus Cristo e, no máximo católicos olham de lado e criticam e, no caso de Maomé houveram feridos e mortos. Dizem-me que são extremistas e que não representam os valores de todos os muçulmanos. Apesar de nem todos serem extremistas eles exigem um certo respeito que corta a nossa liberdade de expressão, ainda hoje a religião é um tabu nos países ocidentais, mas em comunidades muçulmanas o nível de tabu é superior e com consequências mais graves.
Mas, a verdade é que no caso de se querer igualdade o facto de ser necessária a identificação das mulheres e elas não poderem ser identificadas por agentes masculinos causa demasiados problemas relacionados com a religião e, tal como foi dito no artigo, se fosse uma pessoa entrar numa estação da polícia com um capacete o mais provável era que também levasse uma multa. E, o que ainda mais reforça este lado do debate, é o facto de em comunidade muçulmanas existirem muitas mulheres que não utilizam a burqa mas, depois é argumentado que é essencial ter a burqa e que não há outra opção. A opinião de Izzedin Elzir ainda reflecte mais a flexibilidade na utilização do véu. Neste caso é também existente a pressão que a religião ainda tem sobre a lei e os conflitos que podem ocorrer deste choque, é exigido o respeito da religião mas não da lei?
sábado, 20 de junho de 2009
guantanamo
I guess I was wrong.'
The Road to Guantanamo
Um filme misturado com documentário que demonstra o lado dos afegãos, na guerra dos EUA com as organizações terroristas instaladas no país, cujos fins justificam quaisquer meios. No entanto, o tema central do filme é o tratamento dos norte-americanos na sua luta desmedida (em comportamentos e fundamentos) para com os prisioneiros de guerra, que são direccionados para Guantánamo.
Tal post seria ideal para o meu cartaz horizontal, mas decidi introduzir um sobre esta temática com um filme, é sempre a maneira mais fácil e subtil de levar as mensagens às pessoas (especialmente quando estão no google video e, não dá trabalho nenhum ver).
A Questão do Guantánamo:
A baía do Guantánamo foi concedida aos Estados Unidos da América em 1903 em troca de um pagamento de 4.085 dólares por ano, na qual este construíram uma base naval. Nesta base naval encontra-se a Prisão do Guantánamo, que se divide em três campos: Delta, Iguana e X-Ray.
Mas qual é o problema desta prisão?
George W. Bush assinou uma ordem executiva que estipulava que os EUA podiam deter indefinidamente qualquer não-cidadão dos EUA que ele acreditasse estar envolvido no terrorismo internacional. Mas como poderá Bush ter escapado da Convenção de Genebra que defende uma protecção mínima para Prisioneiros de Guerra? Nada mais americano. Decidiu declarar que as pessoas que detiam eram Inimigos Combatentes, partindo do pressuposto que a Convenção de Genebra protege os soldados e, pessoas que se defendem com armas não são soldados, por isso não merecem tal protecção.
Uma prisão que prende pessoas indefinidamente que o governo americano ache correcto... E mais?
Como são feitas as operações dentro do Campo Delta? Seguem um manual intitulado de 'Camp Delta Standard Operation Procedures'. Em 2008, o International Herald Tribute, escreveu um artigo que revelava que os militares americanos tinham feito um interrogatório baseado num estudo sobre as técnicas de tortura da china comunista usadas na guerra da correana para obter confissões, apesar da maioria serem falsas. Entre estas técnicas estão a simulação de afogamento e privação de dormir. No filme podemos também ver, como são encarcerados em celas, sujeitos a interrogatórios rídiculos, a um abuso de força descomunal, tal como a discriminação da religião dos prisioneiros (ah desculpem inimigos combatentes!), em que rasgam o Alcorão, e obrigavam-nos a rasgá-los. E, isto não mencionando a presente consideração de uma prisão indefinida.
Mas não é só. Todos estes 'inimigos combatentes' não têm direito a um julgamento ou sequer a um advogado. Inventou-se então um tribunal militar, cuja noção de direitos humanos não se equipara minimamente a um tribunal normal.
Então e Obama?
Obama entrou, assinou uma medida imediatamente que determinaria que a Prisão de Guantánamo seria fechado num prazo de um ano, terminar as detenções secretas da CIA ,aacabar com o secretismo em torno do que Bush andou a fazer e, impôs novos parâmetros para os interrogatórios.
No entanto, Obama não é a paz e amor (como não poderia ser não é?)
- Obama não garantiu que os detidos seriam acusados formalmente e julgados num tribunal civil, ou mesmo se seriam libertados.
- Ordenou à CIA que encerrasse as suas instalações de detenção secretas e, proibir a sua futura existência mas, poderá raptar e deter pessoas em instalações 'transitórias de curto prazo'.
- Emitiu um ordem executiva que proíbe os maus-tratos e tortura, mas aprova um Manual que permite a privação de sono tal como a manipulação dos medos dos prisioneiros, que é considerado tortura e maus-tratos.
E, o pior disto tudo é dito por Asir no filme:
They never admitted they were wrong.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Pena de morte
É um assunto que na minha opinião nem se põe em questão. No meu caso, não vou só demonstrar razões racionais para ser contra tal acto, um dos meus argumentos seria sem dúvida que a morte não é castigo suficiente para certos crimes, não há margem para um eventual arrependimento e, toda a dor causada perpétuamente nas vítimas, nas famílias das vítimas é aniquilada por um momento de dor. Por um lado esta questão poderia ser corroborada, visto que a partir do momento que um individuo é condenado à pena de morte, até que seja realmente cumprida a sentença, muitos anos pela frente lhe esperam. Basta analisar as estatísticas do departamento de justiça criminal do Texas: o tempo médio de espera pela sentença é de 10,26 anos, tendo o caso mais rápido demorado 248 dias e, o mais longo 24 anos. Mas como disse, os meus argumentos vão além do meu senso comum e vingativo próprio do ser humano (e é curioso como o departamento do Texas tem todo o tipo de estatísticas sobre o assunto, deve ser para encher ainda mais o orgulho por ser o mais executor dos EUA).
Analisando a situação nos EUA, a pena capital é sentenciada nos seguintes casos:
- assassínio de um polícia ou bombeiro;
- assassínio durante um sequestro, roubo, situação de abuso sexual agravado, obstrução ou retaliação;
- assassínio por dinheiro;
- assassínio durante uma fuga da prisão;
- assassínio de um agente prisional;
- assassínio de um prisioneiro que está a cumprir pena perpétua por uma das seguintes ofensas (assassínio, abuso sexual agravado, sequestro agravado, roubo agravado);
- vários assassínios;
- assassínio de um individuo com idade inferior a 6 anos.
(É engraçado de ver que as pessoas que são polícias ou bombeiros são muito mais importantes que todos nós.)
Existem vários métodos de aplicação da pena capital: Injecção letal, electrocussão, gás letal, enforcamento e firing squad, que parto do pressuposto que seja através de tiros, mas quem souber avise!
Desde 1976 foi efectivamente aplicada a pena de morte a 1136 pessoas nos Estados Unidos da América, sendo 428 no Texas, dados até 2008. Actualmente, o Texas perfaz um total de 438 indivíduos executados. No entanto, é de se observar que as execuções têm diminuído, temos o exemplo de que em 1999, foram executadas 98 pessoas nos EUA, opondo-se aos 'actuais' 37 do ano de 2008.
De acordo com uma sondagem presente nas estatísticas do departamento de informação da pena de morte, a opinião público tem decrescido no seu apoio a esta sentença, sendo ainda no entanto de 64% (em 1999 era de 71%).
Um dos principais motivos para ser contra a pena de morte é a probabilidade e a existência certa de casos em que são executados indivíduos inocentes. E, tal acontecimento não serve como desculpa para nos opormos a tal execução, este probabilidade de erro está comprovada pelas inúmeras exonerações que têm acontecido. Desde 1973 que foram registados 130 casos de exoneração e, tendo em conta que a justiça não chega a todos, quantos serão os casos por contar? Na realidade, o número de exonerações tem vindo a aumentar, tendo ocorrido 49 das mesmas entre 1997 e 2004. Existem vários exemplos que demonstram a fragilidade deste sistema: confissões arrancadas através de tortura, como é o caso Aaron Peterson em 2003; um falso depoimento de uma testemunha; a existência de provas falsas; falta de provas verdadeiramente coerentes, como provas científicas ou testemunhas; e, com tudo pergunto-me como é possível um tribunal submeter-se a um sistema tão frágil e a situações tão frágeis que levam a execuções sem pensar duas vezes, sem ter a certeza executarem pessoas.
No entanto existem outros casos, como a questão da insuficiente representação dos indivíduos no tribunal, sendo atribuídos advogados incapazes, ou que simplesmente não se preocupam, ou estão sobre efeitos que são inadmissíveis na representação de uma pessoa que está nas presentes condições. Outro caso, é como os processos são cada vez mais rápidos, não deixando espaço para apelar aos casos e, na maior parte das vezes após sentenciado, raramente são aceites novos argumentos para apelar à decisão.
Jon Corzine, governador de New Jersey elegeu uma comissão legislativa para estudar aspectos da prática da pena de morte. A comissão concluiu que os custos da pena de morte são superiores aos custos de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional; não existem provas conclusivas que a pena de morte naquele estado servisse intenções penais legítimas; mas mais importante, é a de que o impacto que a pena morte supostamente deveria ter, ou seja, reduzir certo tipo de crimes, através da intimidação das graves consequências, não compensa o erro irreversível que se possa cometer. A comissão defende que a prisão perpétua é muito mais eficaz em muitos níveis sociais e penais, incluindo a questão dos familiares dos assassinos.
Sou assumidamente contra e, não tomo este texto como uma 'conversão' de quem é a favor, mas uma reavaliação do estado da pena de morte, principalmente no caso dos EUA. Quer se seja a favor ou contra, são dados essenciais para qualquer tomada de posse.
Fontes:
- Departamento de Informação da Pena de Morte
- Departamento de Justiça Criminal do Texas
- Expresso
P.S. Aconselho um filme que é um dos meus preferidos, com um dos meus actores preferidos, Kevin Spacey: Inocente ou Culpado?, em inglês David Gale.
domingo, 24 de maio de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
Afinal.
Hoje casei-me.
Fotografia por moi meme.
sábado, 9 de maio de 2009
Conceitos:
Suicídio assistido - O próprio doente põe fim à sua vida, dispondo da ajuda de terceiros.
Distanásia - Posição que defende que devem ser utilizadas todas as possibilidades para prolongar a vida de um ser humano, mesmo que a cura já não seja possível e, a continuidade da vida do doente seja vivida em sofrimento.
Ortonásia - Morte natural sem interferência da ciência através de métodos extraordinários de suporte de vida.
Paliativismo - Conjunto de práticas que visa diminuir o sofrimento dos doentes em fase terminal.
Eutanásia activa - O conjunto de acções que têm por objectivo pôr fim à vida, na medida em que é planeada e negociada entre o doente e o profissional que vai efectuar tal acto.
Eutanásia passiva - não provoca deliberadamente a morte, no entanto, com o passar do tempo, conjuntamente com a interrupção de todos e quaisquer cuidados médicos, farmacológicos ou outros, o doente acaba por falecer. São cessadas todas e quaisquer acções que tenham por fim prolongar a vida. Não há por isso um acto que provoque a morte (tal como na eutanásia activa), mas também não há nenhum que a impeça (como na distanásia).
Legislação
Artigo 134º - Homicídio a pedido da vítima através de um pedido 'sério e expresso' é punido com prisão até 3 anos. E ainda nos apresenta um número 2 bastante directo: a tentativa é punível. (Watch out, se vais fazer é a sério)
Artigo 138º - Este artigo remete para a eutanásia passiva. A exposição ou abandono do doente a uma situação em que não se pode 'defender' é punível de 1 a 5 anos; e, atenção se for familiar é de 2 a 5 anos (faz bastante sentido ham?). E se deste último caso resultar ferimentos graves a pena é de 2 a 8 anos e, se for morte entre 3 e 10 anos. (Mais uma vez, se é para fazer, mais vale fazermos logo, nem por tentativos, nem por assistência, let's do it!)
Outro tipo de regulação de conduta neste assunto que considero bastante importante é o:
Artigo 82º - O enfermeiro por respeito ao direito da pessoa à vida deve proteger e defender a vida humana em todas as circunstâncias. Deve respeitar a integridade bio-psicossocial, cultural e espiritual da pessoa; participar nos esforços profissionais para valorizar a vida e qualidade de vida.
Artigo 87º - Um artigo respeitante aos doentes terminais em que determina que o enfermeiro deve defender e promover o direito do doente à escolha do local e das pessoas que deseja que o acompanhem na fase terminal da sua vida.
Acho interessante que em tanta subjectividade, em tanto deve-se fazer mas não é politicamente correcto fazer-se, presente na legislação da República Portuguesa e mesmo no Código Deontológico dos Enfermeiros, termos um Código Penal tão explícito na aplicação de punições contra a eutanásia. E, penso que tanta subjectividade presente deveria fundamentar ainda mais não só o debate político como um referendo nacional, ou teremos medo da opinião das pessoas ?Ainda mais incrédulo parece ser a posição dos bispos portugueses e da ordem dos médicos. Curiosamente, o meu ateísmo crónico está mais apoiante dos bispos portugueses do que a ordem dos médicos.
Após pesquisa observei que a Ordem dos Médicos considera que a legalização da eutanásia é um 'risco social e um retrocesso civilizacional' e que iria levar a um desinvestimento na saúde. Bem é com isso que estamos preocupados ! Apesar da causa do desinvestimento citado ser na área dos cuidados paliativos, acho que é um mau fundamento para a tomada de tal posição.
'O bastonário afirmou que a eutanásia é defendida numa sociedade que vive presa ao “pânico e medo” de um aproximar da morte e que é comum as pessoas pensarem que seria melhor terminar o mais rapidamente possível com o sofrimento.' - Será isto para rir? Existem pessoas que sofrem durante anos e, ainda vêm fundamentar-se que é para acabar rapidamente com o sofrimento ? Ridiculo.
Outro dos fundamentos, será o treino dos profissionais para defender a vida e, não a morte. Quando a questão aqui é defender uma vida digna e, não a morte. E, não iremos mais longe, o seu treino é mais importante que o direito de cada um à sua liberdade ?
Marcos Sá, deputado Socialista defende o debate sobre este assunto, afirmando que a morte medicamente assisitida só deve ser utilizada em casos irreversíveis e, se for expressamente autorizada pelo próprio doente e, no caso de não estar lúcido, assinar previamente o Testamento Vital, num estado de lucidez, autorizando o acto.
Por seu turno, os bispos portugueses defendem a sua posição no documento Protecção da Vida Até ao Fim pela Positiva, recusando a precipitação da morte, tal como o prolongamento da exagerado da vida através de tratamentos. Ou seja, são contra a eutanásia mas também contra a distanásia, ou seja, optam pela ortonásia.
Depois de tal comparação pergunto-me: o que é que se passa com a Ordem dos Médicos ?
Fontes:
- Posição dos Bispos Portugueses
- Posição da Ordem dos Médicos e Marcos Sá
- Eutanásia
sábado, 2 de maio de 2009
A Censura em Portugal
1451 - É conhecido o primeiro vestígio de censura, D. Afonso V manda queimar as obras de John Wycliffe e de Jan Hus.
1536 - É iniciada uma censura regulada pelo Tribunal do Santo Ofício derivada da supremacia da Inquisição.
1768 - Criação do Regimento da Real Mesa Censória (Inspecção de bibliotecas e livrarias; eram proibidas ideias supersticiosas, ateias e hereges)
1787 - A censura começou a ser regulada pela Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros (Jurisdição é alargada a todo o Império Português)
1793 - A Inquisição volta a sobrepôr-se no poder, restabelecendo-se a regulação à Mesa Censória
1822 - É estabelecida a liberdade de expressão
1823 - D. João VI restabelece a censura prévia, estabelecendo a necessidade de uma licensa régia para entrar no país, para regular a informação que entrava no território. Órgão regulador da Censura: Censura do Desembargo do Paço.
1826 - É restabelecida a liberdade de expressão na Carta Constitucional, no entanto continua a existir a monitorização da imprensa periódica através da Comissão de Censura.
1834 - A Censura prévia é abolida, mas está estipulado que existiram sanções para quem lesar a Religião Católica Romana, o Estado e, os bons costumes.
1866 - Abolição das cauções e sanções à imprensa periódica.
1896 - É estipulada a apreensão das formas de expressão que lesassem as instituições monárquicas.
1907 - João Franco proíbe a expressão que atente à ordem e à segurança pública.
1908 - D.Manuel II revoga a lei anterior mas mantém uma monitorização sobre a imprensa.
1910 - Implantação da República e a restituição da liberdade de expressão.
1912 - Devido à dificuldade de implementação do novo regime, o governo republicano impõe medidas de apreensão de publicações mediante os casos (Estava proíbida a Pornografia, o ultraje da instituição republicana e, a segurança do estado; incluíndo os de origem religiosa)
1926 - É permitida a crítica e discussão de assuntos políticos e sociais de modo a esclarecer e preparar a opnião para as reformas necessárias.
1933 - É estabelecida a liberdade de pensamento mas regulada por leis especiais (censura) na Constituição.
1976 - É instituída a liberdade de expressão, informação e imprensa.
Em 1933 é apresentada oficialmente a única justificação na história portuguesa para a aplicação da Censura, estando disposto no artigo 3º da Constituição da República como uma maneira de 'impedir a perversão da opinião pública na sua função de força social e deverá ser exercida por forma a defendê-la de todos os factores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a moral, a boa administração e o bem comum, e a evitar que sejam atacados os princípios fundamentais da organização da sociedade'. Para o Governo estes conceitos eram definidos por si, isto porque Salazar acreditava que os indíviduos actuam em prol dos seus interesses individuais, enquanto que a sociedade deveria ser regulada apenas por um, o estipulado pelo Governo.
Tendo em consideração toda esta informação, o meu objectivo era só um: adaptar um acontecimento a um contexto abrangente. Para mim, a maior mudança foi a vitória pelo direito dos portugueses à liberdade de expressão. Não é uma questão de um regime ditatorial, mas de uma evolução, do fim de uma opressão que ocorria há séculos, que praticamente nunca deixou os portugueses expandir a sua capacidade crítica. Esse é o meu ponto de comemoração do 25 de Abril, que infelizmente vejo um Portugal inteiro a celebrá-lo, mas não a agradecê-lo. Uma luta tão prolongada deveria dar espaço a um aprofundamento ainda maior que qualquer outra sociedade da nossa capacidade crítica e intelectual. No entanto, vejo a crítica fácil, não fundamentada, palavras soltas decorrentes de um estado crónico de conformismo. Por isso, participo neste blog e, lamento a partida de dois elementos deste blog, e agradeço a futura colaboração de outros elemtnos, visto que este é um ponto de encontro que procura a evolução crítica, a discussão de pontos de vista, a nível social e político, uma barreira que os nossos antepassados passaram anos a tentar derrubar. E, apesar desta lamechice final, queria também mostrar um ponto muito importante, que é um erro comum, não foi Salazar que estabeleceu a censura, ela já vinha de muitos e muitos anos, mas a ignorância e mais uma vez, a crítica fácil são obstáculos à melhor compreensão e à nossa melhor actuação.
sábado, 25 de abril de 2009
Apesar da explosão mediática contra estas declarações, foi importante o Papa ter vindo marcar a sua posição. O seu discurso apela a algo importante, em oposição às palavras chocantes que lançou e toda a imprensa se focou. A epidemia da Sida, é acima de tudo uma questão de comportamento e, muita gente perde-se pelo caminho neste assunto. De acordo com Edward C. Green, especialista em prevenção de Sida do Centro de Harvard, está comprovado empiricamente que a abstinência tem um impacto maior na prevenção da Sida, o que para mim não deve ser tido como uma validação para as palavras do Papa, como os jornais fazem crer com manchetes : 'Especialista de Harvard diz que palavras de Papa estão correctas' . Acho que as palavras de ambos, o Papa e Edward C. Green, devem alertar as pessoas para o problema a nível comportamental que existe em África maioritariamente. Existem campanhas em Angola, que vão além da entrega de preservativos, como campanhas de sensibilização sobre a fidelidade, a auto-estima e a solidariedade. Devemos tomar a luta contra a Sida, como algo mais complexo do que realmente se faz crer. Talvez Bento XVI, não consiga é perceber a natureza humana e a complexidade do seu comportamento, tal como não deve saber que o preservativo é uma alternativa que tem efeitos mais imediatos e, que é tomado como a alternativa a seguir para o caminho certo (que não percebe minimamente de preservativos já percebemos, visto que acha que o preservativo agrava a expansão do vírus da Sida).
E, ainda mais importante para mim, é observar bispos,não assinarem por baixo das declarações da sua instituição. O bispo de Viseu, considera deveres éticos acima de deveres religiosos, o que o categoriza como no mínimo, revolucionário dentro do espectro da Igreja. O bispo das Forças Armas, D. Januário Torgal Ferreira vai mais longe e afirma 'proibir o preservativo é consentir na morte de muitas pessoas', o que me faz respeitar minimamente as pessoas que transmitem a mensagem da religião católica, e que sabem diferir o sentido ético do religioso.
E, o mais irónico, é que em comemorações da liberdade de expressão, assistimos a uma censura por parte do Vaticano aos nossos bispos. Isso por um lado, tem o seu sentido positivo, existe um maior cepticismo quanto ao Vaticano e, às suas declarações, e a sua resposta neste caso só ajuda a que haja uma melhor percepção da falha na credibilidade da própria Igreja.
sábado, 18 de abril de 2009
a internet como nosso acessório cerebral tal como o nosso querido google, logo surgiram em meu auxílio. curiosamente, a primeira coisa que aparece ao pôr bebedo, logo aparece o wikicionário (agora é tudo wiki). mas, a minha inocente pesquisa teve um resultado interessante e, que nos mete a todos nós num canto:
http://diario.iol.pt/noticias/polonia-alccol-bebe-recem-nascido-bebeda-hospital/832562-291.html
Tudo é possível com o álcool, as desculpas são mais fáceis e, os loucos são sãos por omissão.
mas embebedar um bébé, é mesmo o meu maior argumento, talvez seja tão literal, que até se torne um cliché e, afinal tenha fugido ao tema da semana.
